Coisas que definitivamente não sabemos
fazer
I – Andar civilizadamente de
guarda-chuva
A
chuva assim como o trânsito ou o álcool possui a nefasta propriedade de trazer
à tona o lado maníaco das pessoas. Faz algum tempo que o guarda-chuva deixou de
ser um objeto insignificante, pelo menos para mim (claro que um pintor
impressionista não pensaria assim), e adquiriu contornos demoníacos e
assassinos. Não é apenas a maneira das pessoas agirem nas multidões que decaiu
homericamente, o objeto em si me parece muito suspeito, alguns modelos atuais
vão contra qualquer ética (no sentido oftalmológico) e o próprio avanço da
civilização.
Monstros
portáteis:
1 1) Bom para estocar
os olhos de maneira objetiva.
2 2) Bom para estocar
os olhos ao sabor do acaso.
O
que está por trás de um guarda-chuva:
É
evidente que atualmente as pessoas são mais mal-educadas, grosseiras e
fanfarronas do que em qualquer outro período da história, porém o guarda-chuva
não é coisa segura para circular por aí livremente, ou então que todos possam andar
com sabre ou punhal para se defenderem. Prova empírica disso é que nesse ano
dia 18 de junho, no Brooklym, região de New York (USA) Shamell Allen assassinou
o taxista Orji-Ama Uro com uma única estocada no olho, com seu odioso guarda-chuva.
Não
creio que a chuva tenha perdido todo o seu potencial lírico, ainda considero
belos o versos de Rimbaud: “Chove
serenamente por toda a cidade”; de Roberto Piva: “Cabelos molhados te espero na garoa”; Apollinaire: “Chovem vozes de mulheres esquecidas mesmo
na recordação”; Baudelaire, brumas e chuvas: “De um vago túmulo e um sudário vaporoso.”; Drummond: “A chuva me irritava. Até que um dia descobri
que Maria é que chovia.”; Jim Morrinson: “Viajantes na tempestade. Nessa casa nascemos. Nesse mundo fomos
jogados...”; Paulinho da Viola: “Começou
bem cedo aquela chuva. Sem fazer ruído e me doendo”. Ou mesmo uma cena
inesquecível do cinema, evidente que o emblemático guarda-chuva é de um
tremendo mau gosto:
Definitivamente
o inferno não é chuva, o inferno são as pessoas!
Como
o comportamento social diante de uma alteração climática é de uma aberração sem
tamanho sou obrigado a caminhar com uma continência permanente na altura das sobrancelhas,
fingindo proteger meus olhos da chuva, quando na verdade temo o ataque mortal
de alguma velhinha distraída munida de sua pérfida sombrinha. Estou tentando me convencer a comprar um, aliás,
precisam modernizar colocando limpa-lentes automático:
Mas
sinceramente, será a prova cabal de que nossas práticas de convivência estão
chegando ao fim. De que não há muito a esperar do outro. De que estamos
definitivamente no cada um por si, e todos contra todos. Se, aliás, já não é
isso!
Acusações:
11-
As
autodenominadas “pessoas” não sabem
manobrar guarda-chuva, vêm em sua direção como um touro furioso. Em dias de
chuva o jeito é saltar como um sapo para não receber estocada.
22-
As
autodenominadas “pessoas” andam de
guarda-chuva embaixo das marquises e toldos. Porquê? Para sacanear quem está
sem.
33-
As
autodenominadas “pessoas” se plantam
nos pontos de ônibus cobertos com o guarda-chuva aberto, isso é, metade do
guarda-chuva fica dentro metade fora, para canalizar melhor a água em direção à
vítima.
44-
As
autodenominadas “pessoas” não secam o
guarda-chuva antes de entrar no ônibus, preferem fazer isso em nossas calças e
sapatos.
Soluções:
Artefatos
oftalmológicamente sustentáveis:
Se há alguma dúvida quanto aos argumentos, que tal esses:


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