domingo, 4 de agosto de 2013

Coisas que definitivamente não sabemos fazer

I – Andar civilizadamente de guarda-chuva

A chuva assim como o trânsito ou o álcool possui a nefasta propriedade de trazer à tona o lado maníaco das pessoas. Faz algum tempo que o guarda-chuva deixou de ser um objeto insignificante, pelo menos para mim (claro que um pintor impressionista não pensaria assim), e adquiriu contornos demoníacos e assassinos. Não é apenas a maneira das pessoas agirem nas multidões que decaiu homericamente, o objeto em si me parece muito suspeito, alguns modelos atuais vão contra qualquer ética (no sentido oftalmológico) e o próprio avanço da civilização.


Monstros portáteis:





1  1)     Bom para estocar os olhos de maneira objetiva.
2  2)     Bom para estocar os olhos ao sabor do acaso.



O que está por trás de um guarda-chuva:



É evidente que atualmente as pessoas são mais mal-educadas, grosseiras e fanfarronas do que em qualquer outro período da história, porém o guarda-chuva não é coisa segura para circular por aí livremente, ou então que todos possam andar com sabre ou punhal para se defenderem. Prova empírica disso é que nesse ano dia 18 de junho, no Brooklym, região de New York (USA) Shamell Allen assassinou o taxista Orji-Ama Uro com uma única estocada no olho, com seu odioso guarda-chuva.
Não creio que a chuva tenha perdido todo o seu potencial lírico, ainda considero belos o versos de Rimbaud: “Chove serenamente por toda a cidade”; de Roberto Piva: “Cabelos molhados te espero na garoa”; Apollinaire: “Chovem vozes de mulheres esquecidas mesmo na recordação”; Baudelaire, brumas e chuvas: “De um vago túmulo e um sudário vaporoso.”; Drummond: “A chuva me irritava. Até que um dia descobri que Maria é que chovia.”; Jim Morrinson: “Viajantes na tempestade. Nessa casa nascemos. Nesse mundo fomos jogados...”; Paulinho da Viola: “Começou bem cedo aquela chuva. Sem fazer ruído e me doendo”. Ou mesmo uma cena inesquecível do cinema, evidente que o emblemático guarda-chuva é de um tremendo mau gosto:



Definitivamente o inferno não é chuva, o inferno são as pessoas!
Como o comportamento social diante de uma alteração climática é de uma aberração sem tamanho sou obrigado a caminhar com uma continência permanente na altura das sobrancelhas, fingindo proteger meus olhos da chuva, quando na verdade temo o ataque mortal de alguma velhinha distraída munida de sua pérfida sombrinha. Estou tentando me convencer a comprar um, aliás, precisam modernizar colocando limpa-lentes automático:



Mas sinceramente, será a prova cabal de que nossas práticas de convivência estão chegando ao fim. De que não há muito a esperar do outro. De que estamos definitivamente no cada um por si, e todos contra todos. Se, aliás, já não é isso!

Acusações:
11-      As autodenominadas “pessoas” não sabem manobrar guarda-chuva, vêm em sua direção como um touro furioso. Em dias de chuva o jeito é saltar como um sapo para não receber estocada.
22-      As autodenominadas “pessoas” andam de guarda-chuva embaixo das marquises e toldos. Porquê? Para sacanear quem está sem.
33-      As autodenominadas “pessoas” se plantam nos pontos de ônibus cobertos com o guarda-chuva aberto, isso é, metade do guarda-chuva fica dentro metade fora, para canalizar melhor a água em direção à vítima.
44-      As autodenominadas “pessoas” não secam o guarda-chuva antes de entrar no ônibus, preferem fazer isso em nossas calças e sapatos.


Soluções:

Artefatos oftalmológicamente sustentáveis:















Se há alguma dúvida quanto aos argumentos, que tal esses:




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